quarta-feira, dezembro 07, 2011

Primavera



Os miseráveis se encontraram naquela rua não sei se era a chuva ou alguma água mais turva,alguns traziam nos olhos a falta de um amor e outros uma perdida busca...
Já era primavera e o sol também se escondia atrás de uma esperança nublada.

quarta-feira, novembro 16, 2011

Coser

Coser o coração...desejos no coração em zigue-zague ela cose um vestido pra comemorar,
um casaco pra esquentar,um figurino,uma cortina...
coser é das mulheres enquanto esperam gr(ávidas) de vida.

sexta-feira, novembro 11, 2011

Arvorecer (Canção)

Arvorecer é crescer no meio do nada,
insistir entre tanto concreto,
tomar as proporções de uma árvore,
Secóia,carvalho,araucária,bonsai...
                                            Deixar se sacudir pelo vento,
 semente
espalhada
na calçada
    procurar uma fresta,
uma entrada...
um caminho para a terra
                                           um crescer para o céu

segunda-feira, outubro 17, 2011

No caminho...

Te dei a pedra do meu anel.
Te dei minha estrela meu céu.
Abri os caminhos pra você passar,
e colhi as flores pro seu altar.
Segui a rota do meu coração,
deixei de lado minha razão.
Os astros disseram:
-Vai se machucar...
Saturno falou:
- Tempo vai curar.
O mundo dá voltas pra gente
viver
e ver
e ver....

quarta-feira, maio 11, 2011

Migrar

Em minha terra restam poucas Araucárias, onde cantam resistentes sabiás.
As aves que aqui gorgeiam talvez sintam mais frio do que as de lá, da terra onde tem Palmeiras... 
Garças brancas, Marrecos Colhereiros , Maçaricos ,siriris e tesourinhas de outros hemisférios entre tantos outros cantos 
encontram uma copa entre concreto e trânsito que lhes permite descançar. 

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Foi numa tarde com cafeína


                                                                                                                             
Depois de muitos anos uma tarde com cafeina, vários expressos para confessar um "sentimento quântico"que segundo o Joaquim Nascimento mineiro perdido no sul, não tem como caber nessa realidade.A realidade é transmitida em tela plana,acreditamos apenas no que vemos,e sentimos e juramos que isso é a mais pura verdade,adotamos leis que nos façam sentir seguros,quebramos regras desde que elas também possam ser formatadas,enquadramos amizades,trocamos ágape por qualquer inutilidade que não nos exija tanto esforço.
"A chuva cai fininha em meus ombros",cantarolo,nimbus acumuladas de mágoas e palavras sem alma nublam a cidade,
não existe guarda-chuva para lágrimas,
meu sentimento quântico se espalha na borra do café,
preciso de mais uma xícara,as palavras saem,como se soassem pela primeira vez,mas logo elas misturam-se ao ruído exterior da cafetería, a chamada do celular,as bandejas raspando no balcão,colheres caindo,pessoas rindo,a xícara esvazia-se,e eu percebo que falo para mim mesma,o segredo retorna porque não cabem em mais nada além do silêncio, o último gole,ninguém entra pela porta...
Do lado de fora a rua xv,o ônibus amarelo,e as palavras voltam para casa.

sexta-feira, setembro 12, 2008

A casa de meu pai



A casa é pequena por fora e imensa na cabeça de meu pai

A casa também nunca é a mesma, suas paredes não seguram o mesmo quadro por muito tempo.

A casa esconde seus labirintos, mas só ele pode ver onde um corredor se encerra

ou uma porta muda de lugar.

Assim a casa guarda meu pai enquanto ele conversa com suas poucas lembranças.

terça-feira, junho 24, 2008

Café com Kant


Mercúrio transita retrógrado atravessando a lembrança
e o que parece um presente.
Parte meu ventre entre o que fui e o agora.
Talvez seja assim...As coisas pressentem um fim,
Cinzas de carnaval ,espalhadas.
Três fevereiros e muita coisa já não existe mais.
Talvez seja assim...Continuam só em mim...
Escolho uma das casas que vivi,
noventa e nove degraus de lembranças.
Na sala ainda os cinzeiros com restos da madrugada
as fotos,as frases pregadas...
Tudo está ali, menos nós.
Talvez seja assim...As coisas precisam de um fim.
Antes de partir vejo que as canecas ainda guardam um resto de ontem.
Com um pouco mais de filosofia,
penso no que Kant já dizia:
"A amizade é semelhante a um bom café; uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primeiro sabor".

domingo, junho 22, 2008

To make a praire



To make a prairie it takes a clover and a bee.
One clove , and a bee,
And revery.
The revery alone will do, if bees are few.
Para fazer uma campina basta um só trevo e uma abelha.
Trevo, abelha e fantasia.
Ou apenas fantasia
Faltando a abelha.
Emily Dickinson

Eu sou essa que recebeu em sua campina
uma visita
inesperada
vinda do norte do mundo.

quarta-feira, junho 04, 2008

Calino e o Labirinto Alzheimer


Os dias passam e levam de Calino um pouco de cada vez...
Seu aniversário...
um nome conhecido...
um rosto...
um gosto...
ou o que ele acabou de fazer...
Os dias não são vorazes,comem lentamente...
Ainda não chegaram até Calino menino...
Mas um homem não pode simplesmente perder sua história,
vê-la se desfazendo a cada dia e não fazer nada.
E asim, Calino vai reinventando suas lembranças e canções, na esperança de substituir as que se foram.
O limite entre realidade e imaginação vão se entrelaçando,enquanto ele caminha entre o pequeno espaço do corredor até a sala, e seus olhos miram paisagens cada vez mais distantes.
Só três coisas Calino não admite perder:
o nome dela, seu relógio e sua identidade.

sexta-feira, maio 30, 2008


Em meu lugar
sou um
pássaro estranho...
pairando no ar
acima da cidade
em pleno inverno
sou um só
sem verão...

domingo, março 09, 2008

No dia em que minha mãe me deu a escuridão...


Toda mãe ao colocar um filho no mundo ,deve odiá-lo um pouco.

Cedo ou tarde ,um filho sente que o leite talhou...
Que já não é mais só filho,mas um intruso do corpo que o abrigou.
Toda mãe não dá só luz,mas escuridão.
E também deve se arrepender um pouco, de esperar alguns meses,depois alguns anos,
por alguém que não saiu do jeito esperado.


sábado, fevereiro 16, 2008

Mercúrio retrógrado


Mercúrio trânsita retrógrado...
Talvez esse silêncio seja só meu
assim como as palavras que não retornam
Talvez seja assim...As coisas buscam um fim,
e o eterno é recomeçar.
Cinzas de carnaval ,espalhadas.
Três fevereiros e muita coisa já não existe mais,
Talvez seja assim...Continuam só em mim...
Escolho uma das casas que vivi,
noventa e nove degraus de lembranças.
Na sala ainda os cinzeiros com restos da madrugada
as fotos,as frases pregadas...
Tudo está ali, menos nós.
Talvez seja assim...As coisas precisam de um fim.
Antes de partir vejo que as canecas ainda estão sujas de café e filosofia.
Um pouco mais só penso no que Kant já dizia...
"A amizade é semelhante a um bom café; uma vez frio, não se aquece sem perder bastante do primeiro sabor".

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Pérola no palco

Aos poucos momentos que realmente valem a pena
e deixam de existir nesta realidade de quatro paredes...
Pérolas aos poucos,
brilhando na escuridão.
A luz estava em seus olhos e ele não pode me ver,
mas eu estava ali completamente atingida por sua voz.
Sorrindo e entregue ao amor por uma simples resistência
uma mulher derrotada amando sem desejar....

sábado, dezembro 15, 2007

JE REVÊ DE VERS DOUX...
Albert SAMAIN (1858-1900) in "Au jardin de l'infante"

Je rêve de vers doux et d'intimes ramages,
De vers à frôler l'âme ainsi que des plumages,
De vers blonds où le sens fluide se délie
Comme sous l'eau la chevelure d'Ophélie,
De vers silencieux, et sans rythme et sans trame
Où la rime sans bruit glisse comme une rame,
De vers d'une ancienne étoffe, exténuée,
Impalpable comme le son et la nuée,
De vers de soir d'automne ensorcelant les heures
Au rite féminin des syllabes mineures.
De vers de soirs d'amour énervés de verveine,
Où l'âme sente, exquise, une caresse à peine...
Je rêve de vers doux mourant comme des roses.

As Montanhas...

AS Montanhas respeitam o sono dos Gigantes,
por isso permanecem em silêncio.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Café com Nina Simone


Sairei pelas ruas e direi seu nome,
Clandestinamente,
O vento soprará em sua procura
e talvez no rádio alguma canção traga notícias de você.
Quem sabe...
Eu sei! Depois daquela rua existirão outras tantas iguais,
mas se olho para o céu as nuvens mudam de direção e formam diferentes labirintos...
As árvores jogam suas folhas e flores e frutos encharcando o asfalto com sua seiva
as coisas naturais e os objetos silenciosos sabem o meu segredo e o guardam comigo.
O retrato colorido que tenho em minha retina não é o mesmo com que me vêem...
Um pouco solitária e misteriosa ,talvez meio envelhecida.
Mas tudo isso não importa ao amanhecer ou ao cair da tarde quando as verdadeiras coisas anoitecem junto com a lua, ao som de Nina Simone.
Esta é tão somente
minha mais bem acompanhada solidão.

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Palavras de Paul Verlaine


Este poema me foi providencialmente apresentado por minha amiga revisitada Zida,ele é do Paul Verlaine.




Paul Verlaine
Oh! por causa de alguém, sem calma, triste, triste estava minh'alma!
Jamais, jamais, me consolei, mesmo depois que a abandonei!
E mesmo depois de a minh'alma procurar longe dela a calma,
jamais, jamais, me consolei, mesmo depois que a abandonei!
E meu coração, tão sensível, diz à minh'alma: - É, pois, possível,
será possível, ele insiste este exílio cruel e triste?
E a alma responde ao coração: Sei lá porque esta ilusão
de estarmos perto, ainda que ausentes, e, ainda que longe, tão presentes?

sexta-feira, dezembro 07, 2007


Será que é puro e é desejo?
Poderia ser se não fosse
Vermelho
Á gua mole em pedra
dura em meu coração.
Já não é mais amargura é solidão.
Será que é puro e é Vermelho?
Poderia ser se não fosse desejo.
Vão seus anéis restam meus dedos
Vão suas mãos jogando segredos
pelo chão
Será que é puro e verdadeiro?
Poderia ser ...
se não fosse ,
o medo.